Arquitetura de Museus

O programa institucional, no qual se inserem escolas, edifícios administrativos e museus, por exemplo, exige funcionalidade aliada a uma estética capaz de expressar a ideologia da empresa ou o propósito da instituição. A arquitetura de museus, neste sentido, é um campo muito rico que demanda extensa pesquisa por parte de seu autor a fim de expressar tanto na sua forma exterior, como nas sensações que gera interiormente, a essência do tema tratado pela entidade.

Pode-se encontrar inúmeros exemplos de uma boa arquitetura de museus. Neste post selecionamos 3 obras imponentes e importantes: O museu Guggenheim de Bilbao, o museu Judaico em Berlim e o Museu Blau em Barcelona.

 

Museu Guggenheim Bilbao

Os museus Guggenheim, pertencentes à Fundação Solomon R. Guggenheim, são dedicados a “colecionar, preservar e interpretar arte moderna e contemporânea” (1), segundo sua própria definição. Desta maneira, a unidade de Bilbao foi projetada por Frank Gehry com uma fachada de formas orgânicas e escultóricas completamente revestida por placas de titâneo, o que valoriza as formas e dinamiza a fachada com a reflexão dos raios solares. A forma cumpre seu papel questionador e icônico, o que confere ao museu grande imponência, além de ter um importante papel na requalificação urbana da cidade basca. Os interiores, nos quais não é possível encontrar sequer uma parede reta, induzem uma nova forma de pensar a exposição artística, fazendo com que a arquitetura atue como recurso do museu para incentivar a reinterpretação da arte.

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Museu Guggenheim Bilbao (Frank Gehry). Fonte
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Interior do Museu Guggenheim Bilbao (Frank Gehry). Fonte

 

 

Museu Judaico em Berlim/Museu do Holocausto

De todos os exemplos de arquitetura baseada em um conceito prévio, talvez o Museu Judaico de Berlim, de autoria de Daniel Libeskind, seja o mais autoexplicativo. Ao tratar de um tema delicado, cuja história apresenta fatos dramáticos, como o holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, o projeto do Museu expressa em seu exterior a desconstrução de estrela de Davi, símbolo do judaísmo, e esboça em seu interior austero, com jogos de luz e sombra, rasgos de iluminação e vigas entrelaçadas de modo agressivo, as sensações experimentadas pelas vítimas do Holocausto. Além do papel importante na aceitação da história dos judeus e na incorporação desta na cidade de Berlim, exaltados pelo próprio arquiteto (2), o Museu agrega ainda mais à arquitetura ao mostrar que é possível conceber um edifício que remeta ao tema do qual trata valendo-se de uma interpretação sensível e não literal do mesmo.

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Museu Judaico em Berlim (Daniel Libeskind). Fonte
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Interior do Museu Judaico em Berlim (Daniel Libeskind). Fonte

 

Museu Blau de Barcelona

O Museu de Ciências Naturais de Barcelona possui três espaços distribuídos ao longo da cidade. O Museu Blau abriga a parte de programas públicos, como exposições, conferências e oficinas da instituição (3). Seu projeto, realizado pela dupla suíça Herzog e De Meuron, consiste em um grande prisma triangular suspenso sob pouquíssimos pilares, baseado no conceito de “Gaia; a ideia de um planeta vivo que está em constante transformação” (3). Desta forma, o material que reveste a base do prisma além de remeter ao fundo do mar, apresenta ondulações que parecem mover-se conforme o espectador caminha, e os grandes rasgos no volume, que permitem a iluminação natural do grande vão presente no térreo, simulam aberturas de luz entre grandes paredões de pedra. Assim, o volume simples suportado por raros pilares, cuja entrada é marcada por um grande balanço, foi capaz de expressar a essência do lugar e de receber o público com amplos espaços de reunião e estar.

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Museu Blau em Barcelona (Herzog e De Meuron). Fonte

 

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Vista de baixo do vão do Museu Blau em Barcelona (Herzog e De Meuron). Fonte

Estes três exemplos aqui apresentados são bastante distintos entre si: enquanto o Guggenheim Bilbao apresenta uma sinfonia de formas delicadas e planos orgânicos sucessivos, o Museu Judaico de Berlim define-se a partir de uma geometria rígida e bastante agressiva. O Museu Blau, por sua vez, diferencia-se dos dois por sua forma única e simples. Os três museus, entretanto, refletem diretamente o tema dos quais tratam e oferecem ao usuário uma compreensão global da discussão que cada um tem por objetivo, como a boa arquitetura costuma fazer.
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